Já se passaram 30 minutos da hora combinada. E nada da Rosângela aparecer. Estava começando a me dar fome. Dez minutos passaram e eu sentei, cotovelos nas coxas, mãos empurrando o rosto pra cima, ficando com o saco cheio e frustrado. Estava quase indo embora. Dei uma última olhada pro lado e de repente me emocionei! Ela vindo na minha direção! Uma mulher, e das mais lindas que eu já vi. Estava vestida do jeito que eu gosto – simples. Uma camiseta branca com um pequeno desenho na frente, calça jeans e tenis – básico, normal, como eu. Ela carregava uma mochila pequena nas mãos e quando ela viu que eu a vi ela ergueu os braços e fez cara de felicidade. Eu fui correndo, dei um abraço muito forte e demorado, tirando os pézinhos dela do chão. Meu coração tava disparado. E enquanto agente se abraçava ela disse, “aiiii, tudo bem meu amor!” Nossa, aquilo foi a coisa mais doce que eu já ouvi nos últimos dias. Aquilo me excitou, me deu o maior tesão e foi impossível disfarçar; com certeza ela percebeu o tamanho da minha “alegria”!
Demos as mãos e fomos andando. Eu peguei a mochila dela. Eu não conseguia ver mais nada na minha frente. Podia acontecer uma tragédia, eu não ia ver, só tinha olhos para a Rosângela. Antes de sair do campus ela pediu para sentarmos num banco. Sentamos e ela tirou um lanchinho da mochila e uma maçã. Ela explicou que como as aulas terminam tarde, antes de ir pra casa ela come o lanchinho, a fruta, pra ter gás para depois almoçar em casa. Eu não quis comprar um lanche pra mim para acompanhar, achei que ficaria chato, mas fui e comprei um suco de laranja pra mim e outro pra ela. Apesar de eu estar morrendo de fome, eu podia esperar. Ela disse que tinha combinado com a tia dela que eu iria almoçar na casa dela naquele dia. Ba, mas eu fiquei demais de contente.
Depois de comer, fomos ao ponto de ônibus. Logo ele chegou e não demorou muito. Em 20 minutos descemos na casa dos tios da Ro. Ela estava morando num bairro chamado Alto da Lapa. Era um apartamento num prédio com uma área enorme. Tinha que passar pelo porteiro e tudo. Subimos ao terceiro andar que era onde ela estava. Um apê muito bonito, enorme, com uma sala grande e uma sacada que dava de frente para a rua e entrada do prédio. A sacada era maior que o quarto do hotel que eu estava. A tia Márcia era irmã mais velha do pai da Ro e o marido Pedro era contador e estava trabalhando. Eles tinham dois filhos casados que moravam em outra região de Sampa. Tudo muito bonito e chic demais. Contei pra elas onde eu estava e tudo o que já tinha acontecido. Elas ficaram assustadíssimas. A tia disse que eu estava num lugar chamado Boca do Lixo e que não sabia como eu ainda estava vivo. Depois ela contou um monte de tragédias que aconteceram naquela região, inclusive quando ela foi assaltada no sinaleiro pelos moradores de rua de lá.
Comemos um maravilhoso frango recheado e uma carne muito boa e especialmente temperada, além do arroz e feijãozinho de sempre. Salada, legumes, etc. Ficaram assustadas de como eu comi. Normalmente como muito mesmo, mas naquele dia eu tava morrendo de fome. Depois fomos andar, eu e a Ro, lá no condomínio. Ela foi me mostrar a piscina, salão de festas, sauna, sala de jogos. Muitos adolescentes lá, me deu vontade de ficar. Subimos e fomos para o apê e sentamos na sala e assistimos televisão com a tia Márcia.
Não demorou muito eu caí no maior sono no sofá. Nossa, que mico! Mas para a minha surpresa, a Ro me acorda e fala que vai me levar para o quarto pra eu dormir um pouco. Eu aceitei na hora, e fomos. Era um quarto de hóspedes, parece. Ela colocou um travesseiro grande e bem fofinho, não tinha quem resistisse. Mas no quarto eu não aguentei e peguei a Ro nos meus braços e dei um beijo na boca dela. No começo ela resistiu, mas suas forças foram se acabando, até que ela me envolveu nos seus braços. As mãos dela passeavam pelas minhas costas, ombros e braços. As vezes elas abaixavam até a altura da cintura. Minhas mãos grandes passeavam também por aquele corpinho tão pequeno e bem feito; nas costas, na cintura e no cabelo, até que uma das mãos se dirigiu a um dos seios. Eu já percebia uma respiração diferente nela. O corpo dela encostado no meu, de repente os dois começaram a se mexer como se estivessem em atrito. Ela estava praticamente no meu colo. Mas de repente, ela pulou pra trás e disse, chega Ri, melhor parar. Nossa, não dava pra parar! Eu já tinha passado o limite da volta, não tinha como parar. Mas ela estava certa. Precisei lavar o rosto e ela saiu também.
Quando era quase 6 horas, resolvi ir embora. Mas a tia insistiu para que eu ficasse e esperasse o tio para jantarmos juntos e se fosse o caso ele me levaria para o hotel ou quem sabe para um lugar melhor, segundo elas. Resolvi ficar. E foi muito bom. Conheci o tio, jantamos juntos, conversamos bastante. Peguei todas as indicações de ônibus e me despedi deles. Ro foi até o ponto comigo. Eu estava muito feliz, porque apesar da frustração daquela tarde, meu contato com a Ro foi melhor que eu esperava e já me imaginava transferindo para Sampa. Mas eu não quis ir embora antes de dar o último lance. “Eu te amo, Ro, e te quero na minha vida até o fim”. Não era cantada, não era querer ficar ou ter um casinho. “Eu quero namorar contigo bem sério, depois ficar noivo e casar”. Daí veio a facada no coração. “Ri,” ela disse, “é muito bom ter você comigo, você é legal, super cara, lindo, amigo e carinhoso, mas nossa relação é só de amigos mesmo, e você é o meu melhor amigo.” Daí eu disse, “eu não quero ser seu melhor amigo, eu quero ser seu homem!”
A história terminou eu pedindo por favor pra ela pensar e que no outro dia esperaria ela no mesmo local. Ela não respondeu nada. E foi assim que acabou meu dia e o dia acabou pra mim.
Nos falamos depois.