Ela Precisa do meu Ouvido
Meu celular toca às 7:30 da manhã, não acredito, fui pra cama perto das 4 da manhã. Era ela, Margareth, alguém que na noite anterior me contratou para ir com ela numa festa em um casarão no campo. A festa muito bacana, cheia de magnatas e ela me apresentava como “um amigo”. Agora ela me liga dizendo que quer almoçar comigo e conversar. “Ok”, disse pra ela, “nos encontramos então”. Na hora marcada nos encontramos no lugar combinado e fomos para o Restaurante. No caminho ela me diz que precisa fazer uma viagem de negócios para a Alemanha e não quer ir sozinha. Pediu que eu fosse com ela, e ela pagaria toda a minha despesa além da minha companhia. Como o dia de ir estava distante, deu para dizer que iria.
Margareth é uma mulher muito rica. Conseguiu transformar seu negócio num grande negócio, mas com o passar dos anos acabou desfazendo do casamento. Filhos casados e marido longe, essa mulher vive sozinha em uma grande casa no lado bom de Londres. Uma mulher bem sucedida, independente, segura de si e no controle completo dos negócios. Mas por trás de tanto poder havia uma mulher triste e abatida pela solidão. Acostumada a dar ordens, a ter pessoas aos seus pés, aos 60 anos, ou mais ou menos isso, em casa, fora do rítimo de trabalho, uma mulher que não tem uma amiga, um homem que a aguente, não tem uma família.
Chegou o dia da viagem e fomos. No começo fiquei assustado, porque ela encorporava a Margareth executiva, decidida, direta e mandona. Me senti um cachorrinho na coleira da Madame. Mas quando chegamos no hotel, primeiramente em Berlin, aquela mulher firme e audaciosa começa a se despir do seu papel de chefe e se torna ela mesma. E uma coitada, sendo ela mesma! Margareth não quer somente sexo; o que ela quer é alguém junto, alguém como referência para saber quem realmente é.
Ela fala coisas e pergunta coisas que me deixam sem ter idéia do que responder! Situações particulares e profissionais e de relacionamento… a única coisa que eu sabia era ouvir e concordar com tudo. E eu penso comigo, o que eu estou fazendo aqui? O que dizer para essa mulher? Aquela história de dinheiro não trazer felicidade, parece que é verdade.
No fim, e talvez por pena, acabei sendo o “amante”, amigo e ombro daquela senhora durante longos três meses. Mas Margareth me mostrou um lado diferente da vida…
Depois nos falamos…