Meus Amigos – FLOR

É claro que esse nome eu inventei agora, mas a pessoa é real e marcou muito. Um dia cheguei em casa e o Bodo veio me falar de uma pessoa que ele conheceu. Era uma brasileira, o nome? Esse aí de cima: Flor. Os dois se conheceram numa mostra de arte que teve na Universidade. Ela expondo e ele apreciando. Com o tempo a amizade dos dois se estreitou e logo virou love. Acabei conhecendo Flor numa festa que o Bodo me convidou e vi a figura. Uma verdadeira gata, bonita, alta, peituda. Brasileira, morena e muito bem tratada. Conversei bastante com ela. Paulista, filha de portugueses, conseguiu moradia permanente na Europa e tinha uma vida bem sucedida e ainda jovem. Tinha a minha idade.

        Bodo e Flor começaram a namorar. Ela mais velha e pouco mais alta que ele. Mesmo em termos de mentalidade, ela era mais centrada que Bodo. Mas os dois começaram a namorar. Estavam todo fim de semana, o tempo todo, juntos. Alguns fins de semana o Bodo desaparecia, outros eles ficavam em casa, de sexta a domingo. Entravam no quarto dele na sexta de noite e dificilmente saíam antes da noite do sábado. Costumavam sair depois das 10 da noite do sábado e voltavam de manhã no outro dia. Confesso que eu sentia um pouco de inveja dos dois, porque eram apenas os dois. Agora com Flor, Bodo vivia para a Universidade e para o amor brasileiro dele. Ele aprendeu muitas palavras no nosso idioma. Sentia inveja sim, porque enquanto eu saía para “trabalhar” nas noites, cada noite diferente da outra, eles viviam a vida de um casal normal.

        Bodo foi sempre mais infantil que Flor. Depois de alguns meses de namoro, eu percebia a força que ela tinha sobre ele. Como ela manipulava e tratava o loirinho com uma certa habilidade e eu só observava. Confesso que ficava preocupado com isso. Eu tinha mais experiência que Bodo, ele parecia estar saindo do ninho naquela época. Tentei alertá-lo algumas vezes, mas ele se fazia de sussegado. Num domingo de manhã cheguei em casa e Bodo na cozinha, tinha acabado de levantar. Perguntei como foi a noite, ele disse que não saiu. Disse que Flor não apareceu, não ligou, não escreveu e nem respondeu aos contatos dele. Pensei, “hum, aí tem”. Pude ver como isso tinha abatido ele, mas ele não me dava espaço para conversar a respeito.

        Esses “perdidos” da Flor começaram a acontecer com mais frequência. Com isso o Bodo foi se amargurando cada vez mais. Morri de dó do Norueguês. Daí eu pensei, se tá dificil conversar com ele, vou tentar com ela. E foi o que fiz, marquei com Flor um encontro num café e avisei o Bodo que ia conversar com ela porque eu tava achando o lance todo muito estranho. Ele de início não gostou, mas eu disse que ele querendo ou não eu iria conversar sim com ela, porque ela é brasileira como eu e nós nos entendemos. Além disso, disse para ele que eu costumo cuidar dos meus amigos. Não estava bom vê-lo triste daquele jeito.

        Confesso meu pecado: Flor me atraía. Mas jamais eu tive a intenção de tirá-la do meu melhor amigo. Flor atendeu ao meu convite e na conversa ela disse que ficava mal com ele, porque ele não gostava de muita pegação, digo, esse povo anglo-saxônico tem hora pra tudo, pegar na mão, beijar e etc… E Flor, brasileira, como eu, adora um esfrega!!! É na hora que dá vontade, sem precisar pensar muito antes, ou depois, ou calcular tal e tal movimento. Bom, problema cultural, mais fácil do que eu pensava. Perguntei para Flor se ela queria que eu falasse com ele e ela disse que sim, mas não pareceu muito animada. Falei com o lorão e parece que a coisa funcionou mais.

        Resolvemos fazer uma festinha em casa. Tava no fim de junho, já calor, verão, galerinha que estudava ja estava de férias. Então resolvemos comemorar. Foi uma festa boa, normal como acontecia, mas alguma coisa aconteceu… depois eu continuo.

One Response to “Meus Amigos – FLOR”

  1. q/ otimo mais histórias…..

    saudades de vc meu gato… me escreve contando sobre vc….

    bjoss….

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