Meus Amigos – BODO
Quando eu já estava mais adaptado em Londres e dominando melhor o idioma, fui descobrindo novas coisas e meu círculo de amizades ampliou bastante. Estava ganhando uma grana razoável como acompanhante e além disso muitos e caros presentes. Eu estava morando em Greenwich, na periferia de Londres. Uma amiga falou de um menino que ela conheceu no Open Day da Universidade. Ele pretendia estudar na Universidade de Londres e estava atrás de lugar para morar. Ele veio de Oslo na Noruega. Os pais deles eram comerciantes lá. O nome desse menino era estranho, Bodo. Nossa amiga em comum perguntou se eu queria dividir minha casa com ele. Pensei dez vezes e depois liguei para ela dizendo que gostaria de conversar com esse norueguês chamado Bodo. Nos encontramos nós três num café perto da Trafalgar. Cheguei, eles já estavam lá. Bodo tinha uma aparência física típica dos nórdicos, loiro, olhos azuis e aparentava ter uns 18 anos, mesma idade que meu irmão Felipe. Começamos a conversar e logo notei que o loirinho tinha algumas dificuldades com a língua inglesa, mais ou menos as mesmas que eu tinha. Ele estava morando num hostel em Londres e estudava inglês para poder entrar na Uni. Era um cara super tímido, mas queria muito saber de futebol e música brasileira. Gostei dele, não me parecia ser uma pessoa com maldade e malandragem. Gostei do Bodo, e disse para ele que quando quisesse poderia mudar.
Estendi a mão para cumprimentá-lo como sinal de negócio fechado mas ele não correspondeu. Eu sempre dava esses foras. Esquecia que não existe muito toque na cultura de alguns povos europeus.
Chegou o dia da mudança e ele apareceu em casa apenas com 2 mochilas; uma com roupas e outra com livros e objetos pessoais. Achei muito estranho. Mas por muito tempo achei a cultura e costumes dele estranhos.
O Bodo foi e é um dos meus melhores amigos. A vida foi nos aproximando, unindo nossa amizade. Aprendi com ele a ter uma visão mais séria e crítica da vida. Ele aprendeu comigo que a gente deve também aproveitar o que a vida tem de bom. Conforme o tempo foi passando, Bodo foi se tornando como alguém da família. Ele sempre criticou o tipo de vida que eu levava e para dizer a verdade, se eu saí daquela vida, foi porque ele batalhou muito comigo e por mim.
Nossa vida, juntos, em um curto espaço de tempo, deu uma virada enorme e tem muita história para contar.
Hoje, Bodo vive na Escócia. Mora lá com seu filhinho, Scott. Muito jovem, mas com muita responsa na vida. Bodo, alguém deve traduzir isso para ti. Obrigado por ser meu amigo, por tudo o que você me ensinou e pela companhia nas horas difíceis e também nas mais gostosas.
“Amigo é coisa, para se guardar…”
January 9, 2009 at 5:01 pm
q/ otimo voltar a ler seu blog… isso é um otimo sinal….
bjos…gato