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Rosângela …

Posted in 7 - Rosângela ... with tags , , , , , , on August 19, 2008 by braverick

Com 17 anos, minha fama na escola e fora dela era de pegador, galinha e ricardão. É que eu não tinha muita dificuldade de acesso tanto com as meninas da minha idade como com as mais velhas e até com as mais velhas ainda. Bom, não posso detalhar muita coisa quanto às mais velhas aqui. Tenho omitido alguns fatos que podem expôr gente de bem, sendo que estou sabendo que muita gente hoje na minha cidade tem acessado meu bloguinho diariamente. Aliás, não tenho publicado muitos comments justamente por causa disso (e tenho recebido muitos e muitos e-mails, ta valendo, galera!).

Na verdade eu acho que eu sempre tive muita energia e adrenalina. Nunca consegui ficar muito parado. Sexo era uma coisa que simplesmente acontecia. Gostava muito de exercitar o corpo, parecia um vício. Sempre que dava eu tava na academia, ou jogando fute, correndo, etc. Mas com tudo isso eu não era um cara safado. Sempre respeitei muito as pessoas especialmente as mulheres. Simplesmente eu deixava a coisas fluírem. Deixava que tudo acontecesse naturalmente. Aliás sempre fui carinhoso e cuidadoso, quem me conhece sabe.

Mas nem tudo dava certo. Rosângela por exemplo. Ro foi o grande amor da minha vida. Muitas vezes ela tirou de mim o sorriso e a alegria de viver. Foi a pessoa que eu mais quis (e eu não to falando só sexualmente), mas nunca tive. Quando lembro da Ro me vem a frase na cabeça: “Too much love will kill you!”.

Eu e Ro crescemos juntos. Ela é quase um ano mais velha que eu. Os pais dela eram amigos da mamãe. Eles moravam do outro lado da rua, quase em frente à nossa casa. Brincávamos juntos, íamos e voltávamos da escola juntos quase todo dia. Depois que a mamãe faleceu e tudo aquilo aconteceu, eles se afastaram da gente, mas nossa amizade foi sempre forte. Éramos confidentes e íntimos.

A fama da Ro na escola era de a mais difícil. Apesar de ser muito legal e amiga de todos, ninguém conseguia se aproximar dela para ficar ou namorar. Ela era a que todos queriam também. Muito linda, loira, olhos azuis e corpo perfeito. Mas não era só isso que me atraía nela, era a meiguice, atenção e carinho com que ela me tratava. Apesar de toda nossa amizade, intimidade e carinho um pelo outro, eu nunca consegui tirar dela um beijo de verdade. Principalmente porque eu nunca fui de forçar as coisas; como eu disse, eu gosto de deixar rolar na boa, naturalmente.

No ano anterior, 1999, toda galera tava focada no vestibular. Dificilmente alguém queria sair do nosso estado. Para nós, o Brasil era um país e o nosso estado outro. Aliás, acho que essa é a mentalidade da maioria da população lá. Mas a Rosângela quis ir para Sampa. Por quê? Ela dizia que era um sonho dela e que tinha família lá também. Só fui acreditar nesse absurdo quando ela veio em casa toda contente dizendo que entrou numa Universidade em Sampa. “Caralho, em Sampa, Ro?” Sim, uma tal de Universidade Mackenzie. Particular ainda por cima. Penso que se fosse uma USP ainda valeria a pena, porra, São Paulo?

Nos últimos três meses antes dela ir, eu resolvi investir mais e ser mais direto. Infelizmente brigamos. Ba, como sou burro! Falei que amava ela, falei que estava disposto a qualquer coisa com ela. Um dia discutimos porque eu proibí que ela fosse embora. Me humilhei e enchi o saco, a ponto do pai dela ter que interferir.

No dia que ela foi, fui até a rodoviária. Ela ficou tão brava comigo que me ignorou. Mas ela fez isso para se preservar, não fez por maldade. No fundo, Ro, tenho certeza que você me amava também, mas entendo seus motivos!! :(

Depois que ela foi, não se comunicava mais comigo. Eu ia para a sala de bate papo na internet, onde eu sabia que eu poderia encontrar ela. Conheci muita gente nesse lugar, mas a Ro, se entrava, eu não reconhecia.

Não agüentei de saudade e disse pro Fe que ia pra Sampa. Ele achou um absurdo; não concordou. Peguei meu dinheiro que tava guardado e fui. Antes, pedi para os pais dela endereços e telefones, contatos dela enfim. Não quiseram me dar. Passei um milhão de e-mails para ela avisando que ia. Até hoje nenhum respondido. Até hoje me pergunto onde eu errei com a Ro. Onde, Ro? Mas eu sabia onde ela estava estudando. Fui mesmo assim, imaginando que São Paulo era um pouquinho maior que Porto Alegre. Fui, faltei uma semana na faculdade… estava no começo mesmo! Mas fui debaixo dos protestos do Felipe.

Peguei o busão até Floripa. De floripa fui para Curitiba e depois de Curitiba outro pra Sampa. Mais cansativo, mas mais barato. Cheguei na Rodoviária de Sampa. Meu nariz entupiu na hora. Fiquei tonto com tanta gente junta e cada figura uma mais esquisita, diferente e feia que a outra. Pensei, caraca, como alguém pode sonhar em vir morar nesse lugar? Era uma terça feira de manhã. Perguntei no balcão de informações onde fica a faculdade Mackenzie. A moça muito simpática disse que eu tinha que pegar o metrô, descer na estação da praça da Sé e depois tomar a outra linha do metrô que vai para a estação República. Próxima pergunta minha, “onde é esse metrô”? Fui seguindo as placas. Odeio metrô. Odiei aquele metrô. Não nasci pra ser tatu. Desci na praça da Sé. Ba, que lindo! Entrei na igreja lá. Fiquei impressionado com aquilo. Saí para a praça de novo e fiquei observando todo aquele movimento. Tava morto de fome. Consegui uma carne num espeto que ficava rodando na vertical. Matou a minha fome, mas quase que me matou também. Na praça tinha de tudo. Pessoas cantando, vendendo chás e ervas, outras com uma Bíblia na mão falando do inferno. Depois de muito ver, perguntei onde fica o metrô que vai para a estação República, perto da faculdade Mackenzie. Descobri que eu nem precisava ter saído da estação que eu estava, era só trocar de trem.

Desci na estação República. Fiquei assustado com o tamanho daquela cidade. Tava começando a entender porque lá era o sonho da Rosângela e era o sonho de muita gente também. Foi nesse momento que pela primeira vez eu percebi como meu mundo era pequeno. Eu passava pelas pessoas em Sampa, olhava para elas e elas nem olhavam pra mim. Nem as meninas respondiam às minhas olhadas! Perguntei onde fica a faculdade Mackenzie para um senhor barrigudo, com um terno marrom e a gravata mais curta que o normal – não sei se a gravata era curta ou se era a barriga dele que encurtava a gravata! Me deu vontade de dar umas aulas de exercício físico para ele. Ele não tinha um tanquinho, ele tinha um trator! Ele nem me respondeu, acredita? Só indicou com a mão como quem diz, “segue em frente”. Depois que perguntei umas 2 vezes cheguei lá. Um calor horrível, seco e sujo. Na entrada da faculdade tinha um prédio enorme. Lá dentro, parecia uma cidade. Vários prédios baixos e casas, tudo muito antigo.

Tive algumas frustrações. Uma delas foi ver que achar a Ro lá seria uma tarefa muito difícil. Milhares de pessoas circulando lá dentro. Outra coisa, quando perguntei para alguém onde fica a secretaria, a resposta foi, “que secretaria?”; “secretaria de que faculdade”? Então eu fui na secretaria da faculdade de direito. Uma mulher mal educada disse pra mim, “querido, quem é você? Não posso dar informações sobre os alunos da faculdade. Aliás, temos mais de mil alunos!”

Que fazer agora?

Continuo no próximo…