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Cadê Você, Eva?

Posted in 4 - Cade Você, Eva with tags , , , , , , on August 16, 2008 by braverick

Dois anos se passaram. Estamos por volta de fevereiro de 1997. Já estou com meus 14 anos. Bike? Nada. Situação em casa se acomodou porque eu não convivo direto, não tenho ambiente. Faz tempo que a Le não aparece e parou de pegar no pé do papai. Ela está agora envolvida com Universidade, e deve estar cheia de namorados. No fim do ano passado espanquei o Felipe. Cansei dele. Mesmo tendo sido castigado depois, valeu a pena. Todo esse tempo eu esperava pra descer toda minha raiva naquele mala.

Pode ter sido ruim eu ter ido para a Igreja, mas sabe que até curti? Continuei indo todas as tardes na Igreja. trabalhei com a parte burocrática – não sabia que tinha tanta coisa assim. Parte da Igreja estava em reforma e eu gostava de ajudar lá também. Era a oportunidade que eu tinha de exercitar meus músculos, carregando peso, subindo em andaimes, etc. Aprendi teologia também: Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, os evangelhos. Cobri o padre Geraldo de perguntas existenciais e teológicas e as respostas dele me ajudaram muito. Me deram um propósito maior. Sem contar a ajuda e o suporte para a escola. O padre Geraldo me ajudou a recuperar as notas e eu voltei a ser bom aluno. Só que raramente tomava banho. Mas ele percebendo, ficava no meu pé. A igreja mudou o rumo da minha vida. Ela cumpriu um papel social muito importante. Tem tanta gente na rua, tanta criança. Se as igrejas e entidades sociais se dedicassem mais em cuidar desse pessoal, o mundo seria outro.

Nesses dois anos fiquei ainda mais chegado com o Mateus e os meninos. Um dia, vieram me chamar para uma sessão de cinema na casa do Tiago. Os pais tinham ido viajar. Fui lá, na sexta de noite. Quando cheguei o Mateus foi abrir a porta pra mim, e na porta ele perguntou: “Você é virgem?” Sinceramente, não sabia do que ele estava falando. Eu pensava que tinha alguma coisa relacionado com a virgem Maria. Então eu respondi, sou sim, claro! Daí ele caiu na risada, quase passou mal. Foi correndo contar pros outros que zuaram até da minha cara. Depois fui descobrir que todos eles eram virgens também. Bom, a sessão de cinema era com filmes de sacanagem. Nunca tinha visto um. Nunca tinha visto uma mulher pelada. Cara! O que aquele cara tá fazendo com ela? Fiquei amplamente interessado! Naquela época eu tinha 13 anos e foram várias as sessões de cinema. Interessante era ver o Mateus explicar para mim como se fazia sexo, como se ele fosse um cara experiente. Minha vida tava bem dividida em pólos bem opostos. De um lado, ajudando na igreja, naquele ambiente sagrado; por outro lado, nas sessões de cinema e nas minhas sessões particulares. O sexo se instalou na minha cabeça de tal maneira que tudo que eu via e ouvia eu levava pro lado da malícia. Ficava excitado muito facil o que me causava muito constrangimento.

Nesses dois anos a Rosângela era a pessoa com quem eu mais sonhei. Como ela cresceu – nem tanto em estatura! Ela ficou com cara e jeito de mulher. Conversávamos muito. Nas nossas conversar eu queria muito colocar minha mão naqueles seios relativamente grandes, durinhos e empinadinhos! Rosângela foi a grande paixão da minha vida. Não correspondida.

Eva era mais fantasia do que paixão. Mas foi ela minha primeira transa. Uma chance que deu, no meu quarto, ela me deixou ver os seios dela. Eu assustei. Ela pegou minha mão e fez eu passar nos seios. Na hora não senti nada. Depois, não aguentava lembrar daquilo e sentia raiva porque nao continuei. Por que minha mão ficou só lá? Eu me perguntava. Aconteceu outro encontro e eu tava mais a vontade. Consegui colocar as duas mãos sem que ela mandasse. Ela perguntou se eu não queria beijar ela na boca. Não respondi nem que sim, nem que não. Ela se aproximou. Lábios bem grossos… eu não sabia o que fazer. Com a língua ela forçou para que eu abrisse a boca. E, de repente, uma língua na minha boca. Nossa, foi a primeira vez que senti fogo. E foi assim, fomos sempre nos encontrando e aquilo virou um vício pra mim. Até que um dia aconteceu. Ou melhor, não aconteceu nada. Nunca tinha visto uma vagina ao vivo e tão de perto. Me deu o maior medo. Achei muita responsa! Fiquei puto da vida comigo mesmo, porque sempre penso toda vez que aquela ia ser minha última chance. Até que um dia aconteceu. Foi um dia maravilhoso! Não sabia que era tão bom assim, tão quentinho!! Conforme o tempo foi passando, aquilo foi virando um hábito. E cada vez melhor. Eu ficava doido quando ela começava a gemer, gemer e gozava várias vezes. Eu cheguei a pensar que a Eva tinha alguma disfunção pelo tanto que demonstrava sentir.

Essa era minha vida, escola, Rosângela, Igreja e sexo. Eu era o verdadeiro Adão. Tudo perfeito. Até que um dia…

Já com meus 14, meu aniversário foi lá na boelita, na capital. Passei todo mês de janeiro lá. Cheguei em fevereiro, doidinho pra “ver”a Eva. Cheguei em casa, somente meu pai e Ana estavam. Falei um oi, entrei pro meu quarto e fiquei lá um tempo. Fui para a cozinha, ver se os urubus deixaram algum resto da carniça pra mim. Cheguei na sala, a cena mais ridícula que eu ja vi. Papai deitado no sofá com a cabeça no colo da Ana. E ela mexendo no cabelo dele. Dava pra ver na cara deles que eles não tinham mais nada pra fazer na vida, acho que nem sexo. Os dois malas, Felipe e Gustavo tinham ido pela primeira vez sozinhos no cinema, olha que bonitinho!! Os dois irmãozinhos virando homens, indo no cinema sozinhos e saindo de casa como dois homenzinhos!!! Credo, como sou sarcástico e irônico. Mas cadê a Eva? Ela estava de férias e não voltou? Não apareceu aquele dia? Resolvi quebrar aquele quadro de Jesus e Maria José e perguntar pra eles onde ela estava.

Parece uma coisa, quando tudo entra num ritimo normal, alguma coisa vem pra fuder com a gente. Eva pediu as contas, foi embora. Me senti como se tivesse levado um tiro a queima roupa. Ela foi embora no meio de janeiro, eu tava na casa da boelita. Disseram que ela apareceu para receber uns dias depois e foi. Eu caí na verdadeira deprê. Minha Eva me expuslou do paraíso dela. Passei o mês todo pensando nela, louco para vê-la e tê-la quando voltasse… Nunca mais vi a Eva. Naqueles dias ouvi falar que ela teria ido para São Paulo porque arrumou trabalho, mas perdi o contato totalmente. Minha esperança é, quem sabe, de repente ela acessar este blog!!!

Eva, ainda te amo!

Tentamos nos falar depois…